Abrir uma clínica envolve mais do que alugar uma sala: há formalização, registros em conselho, licenças, estrutura, equipe e, se for atender planos de saúde, credenciamento. Este roteiro organiza as etapas na ordem em que costumam acontecer.
1. Defina o modelo
- Consultório, clínica ou multiprofissional? Um profissional, uma equipe de uma especialidade ou várias categorias juntas.
- Particular, convênio ou os dois? Convênio exige credenciamento e faturamento TISS, o que muda a estrutura administrativa.
- Quem é o público e onde ele está? O ponto influencia aluguel, estacionamento e acesso.
2. Planeje os números
Liste o investimento inicial (reforma, equipamentos, mobiliário, sistemas), os custos mensais fixos (aluguel, equipe, contador, internet, sistema) e o preço médio de cada serviço. Com isso você descobre quantos atendimentos por mês cobrem as despesas.
3. Formalize a empresa
Contrato social, CNPJ, inscrição municipal e a escolha do CNAE adequado à atividade. Como exemplos, existem códigos separados para atividade médica ambulatorial restrita a consultas, fisioterapia, psicologia e nutrição. Um contador ajuda a escolher o enquadramento e o regime tributário.
4. Registre a pessoa jurídica no conselho
Cada categoria tem seu conselho regional (como CRM, CREFITO, CRP e CRN). Em geral a empresa precisa de registro ou cadastro e de um responsável técnico. Verifique as regras do seu conselho.
5. Licenças e vigilância sanitária
- Alvará de funcionamento da prefeitura.
- Licença sanitária da vigilância sanitária, com inspeção do espaço.
- Corpo de Bombeiros, conforme a exigência do município.
- PGRSS, o plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.
6. Cadastre o estabelecimento no CNES
O CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) identifica a clínica nos sistemas do setor. O número vai, por exemplo, no cabeçalho dos lotes de faturamento TISS.
7. Monte a estrutura e a equipe
Defina salas, recepção, equipamentos e processos de limpeza e descarte. Decida como cada profissional atua (sócio, CLT ou autônomo parceiro) e como será o repasse.
8. Organize a gestão desde o primeiro dia
Agenda, cadastro de pacientes, prontuário, financeiro e, se atender convênio, faturamento. Começar numa planilha parece barato, mas vira retrabalho quando a clínica cresce. Também vale ter site, e-mails com o domínio da clínica e atenção à LGPD.
9. Credencie-se nas operadoras (se for o caso)
Cada operadora tem seu processo e prazo. Deixe os dados do contrato (código de prestador, tabela de preços, prazos de pagamento e de recurso) cadastrados no sistema antes de emitir a primeira guia.
Importante: exigências variam por cidade, estado e categoria profissional. Confirme os detalhes com o seu contador, o conselho regional e a vigilância sanitária do município.
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